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Pornográfica

Com estrutura partidária que temos não há como se  combater a corrupção, mormente, a de natureza política.

Há, presentemente, em nosso país, 35 partidos políticos em condições de participar das nossas próximas eleições e aguardando a aprovação do nosso TSE-Tribunal Superior Eleitoral, 50 novos partidos políticos não vêem chegar à hora de passarem a mamar nas várias tetas que o nosso pornográfico sistema partidário lhes propiciará. A exemplificar: tempo de televisão, fundo eleitoral, fundo partidário e “otras cositas más”. 

Nada contra aos nossos atuais partidos e a nenhum outro que porventura venha surgir, e sim, as imorais vantagens que lhes são conferidas. Nos EUA, por exemplo, sua estrutura partidária comporta quase uma centena de partidos, entretanto, apenas dois, o Democrata e o Republicano, há mais de 200 anos se revezam no poder, e o mais importante: predominam em suas Casas parlamentares, seja na Câmara dos Deputados, seja no Senado.

Sou contra sim, a fragmentação da nossa representação parlamentar, afinal de contas, é dela que deriva a nossa corrupção política, isto porque, para conseguir compor suas correspondentes maiorias parlamentares os nossos governantes, do Presidente da República, passando pelos governadores até chegarmos ao prefeito do nosso mais modesto município, só conseguem à base das negoicatas, ou mais precisamente, da corrupção. Do contrário não conseguirão aprovar os seus projetos, ou coisa pior. O ex-presidente Fernando Collor e a ex-presidente Dilma Roussseff, foram afastados do poder por não terem conseguido as maiorias que os garantiam em seus respectivos mandatos.  

Que não me venham dizer que o impeachment do então presidente Fernando Collor teve como motivação a aquisição mal explicado de um Fiat-Elba e que o impeachment da então presidente Dilma Rousseff se deveu as tais pedaladas fiscais. Isto é desculpa de bêbado para delegado.

Eu, por vezes, me pergunto: como o presidente Jair Bolsonaro vai conseguir aprovar as inúmeras e indispensáveis reformas constitucionais tendo que conviver com o nosso Congresso Nacional composto de parlamentares oriundos de 30 partidos políticos distintos, e todos eles, indistintamente, defendendo os seus próprios interesses?

Não votei no presidente Jair Bolsonaro e nem estou arrependido, entretanto, não faço parte daqueles que apostam no insucesso de sua gestão. Pelo contrário. Gostaria de ser surpreendido e sentir-me gratificado pelo seu sucesso. Entretanto, para que isto acontece, ele terá que enfrentar a nossa fragmentação congressual, certamente, entre todos os obstáculos que terá pela frente, o mais difícil de todos, sendo ele, por excelência, reconhecidamente, desastrado articulador político. 

 Sem uma profunda e radical reforma no nosso sistema político/partidário/eleitoral, só e somente só, a base de negociatas, as nossas reformas constitucionais serão aprovadas.

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