O Rio Branco

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Precaríssimo

Por Artigo do Narciso

06 de Março de 2018 às 10:57:32

Exceto algumas ilhas de excelência, o nosso ensino, e em todos  os níveis, continua de mal a pior.

Somos a nona economia do mundo e a primeira do continente latino-americano. A despeito disto, a qualidade do nosso ensino básico, particularmente, continua sendo a nossa maior tragédia, certamente, uma das piores do mundo, em particular, pois como a sua denominação sugere, indispensável à construção do nosso edifício educacional. Além do mais, segundo a nossa constituição, estamos a tratar de um dever do Estado brasileiro e um direito de todo e qualquer cidadão.

Não fosse às exceções decorrente da nossa gritante desigualdade social, o nosso sistema educacional seria ainda pior. Reporto-me as ilhas de exceções que o nosso próprio sistema tem criado em benefício dos chamados “filhinhos do papai”.  Ou seja: os alunos que cursam o ensino básico nas excelentes escolas particulares, nas quais os alunos pobres sequer têm acesso, acabam tomando de contas de todas as vagas disponíveis nas excelentes faculdades públicas. 

Enquanto nas nossas escolas públicas os seus alunos não conseguem adquirir os conhecimentos básicos que os possibilitem disputar uma vaga numa faculdade pública de boa qualidade, os tais “filhinhos do papai”, oriundos das boas escolares particulares, acabam preenchendo a quase totalidade das suas vagas. 

Além de queda e coice. O aluno pobre não adquire os conhecimentos necessários que o estimule a prosseguir nos seus estudos, menos ainda, a chegar a uma das nossas universidades públicas, até porque, praticamente todas as suas vagas são ocupadas pelos já denominados “filhinhos do papai”, e o mais grave: à custo zero, já que no nosso país, os filhos de milionários estudam gratuitamente nas nossas faculdades públicos e os excluídos socialmente, quando muito, nas chamadas faculdades caça-níqueis, e isto graças a dinheirama do FIES.

Se já éramos o país com o maior número de analfabetos propriamente ditos e, certamente, de analfabetos funcionais, estamos caminhando celeremente para nos transformamos, se é que já não chagamos lá, a ser país com maior de doutores analfabetos, ou seja, de doutores que não podem exercer profissões correspondentes aos diplomas conferidos por tais faculdades. Aqueles que discordarem dessa afirmação basta que busque saber qual a quantidade de bacharéis em direitos que não conseguem aprovação no exame da OAB-Ordem dos Advogados do Brasil. No Estado de São Paulo, por exemplo, mais da metade dos médicos formados nas suas faculdades particulares não conseguem ser aprovado no exame do  Cremesp-Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, isto porque, ao serem testados, sequer sabiam fazer o diagnóstico de uma simples pneumonia.  

A mercantilização do nosso ensino, em particular, do nosso ensino superior, chegou a um nível tal que, enquanto no Brasil já existe 1.240 faculdades de direito, juntos, os EUA, a China e toda a Europa, só conta com 1.100 faculdades. Vamos em frente;

Enquanto o Brasil já existe 216 faculdades de medicina, os EUA tem apenas 125 e a China com seus mais de um bilhão de habitantes e sendo a segunda maior potência econômica do mundo, tem apenas 150.

Ensino sem qualidade é o que nos tem feito comer a poeira deixada pelos países com os quais já chegamos a competir.

 



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