O Rio Branco

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Violento ou violentado?

Por Artigo do Narciso

05 de Junho de 2018 às 10:11:00

A guarda das nossas fronteiras é de responsabilidade do governo federal e não dos nossos Estados federados.  

          O Fantástico, uma das vitrines do jornalismo da nossa sempre espetaculosa TV-Globo, já não tanto como fora no passado, ainda assim bastante assistido, no último domingo, exibiu uma longa reportagem sobre a violência do nosso Estado e pretendeu nos colocar numa posição bastante incômoda e desconfortável, afinal de contas, a impressão que restou foi a de que somos o Estado mais violento do nosso país. 

         Concordo, em parte, e tão somente em parte, com o que fora divulgado, até porque, se a nossa violência tem sua origem ligada predominantemente ao tráfego internacional de drogas e se a geografia nos deu como vizinhos a Bolívia, o Peru e a Colômbia, coincidentemente, os maiores produtores mundiais de cocaína, e se nossas fronteiras com estes três países encontram-se praticamente desguarnecidas, as conseqüências não poderiam ser outras, a não serem, as que foram reveladas. Ao meu sentir e de qualquer analista com o mínimo de isenção, ao invés de violento o nosso Acre está sendo, aí sim, violentado. 

           Se nos confrontamos em quase 2.000 quilômetros com tais países, e se não há a devida vigilância quanto ao transporte suas drogas, sejam aquelas endereçadas para os grandes centros populacionais do nosso país, nos quais se concentram seus potenciais consumidores, sejam para  serem exportadas para outros países. Infelizmente, suas principais rotas  passam necessariamente pelo nosso Acre. Volto a repetir: por imperativo da nossa própria geografia.

         De mais a mais, o comércio de drogas pesadas, a exemplo da cocaína, não é feito por amadores, e sim, por traficantes altamente especializados e devidamente organizados.  

         Se o governo federal e a nossa grande imprensa esperam que, por nossa conta e risco, teremos condições de combater o tráfico internacional de drogas é, no mínimo, uma insensatez. Diria até, uma monumental irresponsabilidade.

         O que as nossas estruturas encarregadas de auxiliar no combate ao tráfico de drogas tem feito, e a duras penas vem fazendo, é o que pode,  mas nunca com a eficiência e prontidão que o caso requer, afinal de contas, em armas, equipamentos e recursos financeiros, na guerra contra o tráfico de drogas, os traficantes estão bem mais preparados.  

         Conforme anunciado, já que o Fantástico do próximo domingo voltará com novas reportagens sobre o referido assunto, esperamos que desta vez, que o governo federal mais, o nosso Estado menos, seja responsabilizado pela violência derivada de tão criminoso mercado. Neste particular, somos vítimas  e não cúmplices dos traficantes de drogas.

 



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