O Rio Branco

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Ó tempos, ó costumes!

Por Artigo do Narciso

05 de Março de 2018 às 09:02:29

Bons tempos àqueles em que as nossas autoridades  judiciais se limitavam a falar nos autos dos processos. 

         Estamos atravessando um período superlativamente preocupante. Reporto-me ao comportamento das nossas autoridades judiciárias, sobretudo àquelas que conduzem os processos judiciais.  E por quê? Porque ao invés de se limitarem a falar apenas nos autos, ou buscam ou são buscados pela nossa grande imprensa, de preferência, pelos veículos do poderosíssimo Sistema Globo de Comunicação, e muito provavelmente, em busca da notoriedade que somente os espetáculos midiáticos poderiam lhes conferir. Vide a notoriedade conquistada pelo procurador da República, Dalton Dellagnol. 

         A coisa chegou a um nível tal que, freqüentemente, os repórteres da TV-Globo chegam a se gabar de estarem anunciando, em primeiríssima mão, informações que deveriam ser mantidas sob segredo de justiça. Nada mais pilhérico, afinal de contas, só como pilhéria, alguém confia seus segredos a quem, por dever de ofício, irão divulgá-los.    

         Pior ainda: se um determinado “furo” como assim são chamadas as tais informações, não atender aos seus interesses de determinados veículos de comunicação, jamais serão veiculados. Caso contrário, tais segredos serão veiculados, e ainda por cima, recheado dos comentários que favorecem sua credibilidade.

         Vide o que aconteceu com a então presidente Dilma Roussseff e o que está acontecendo com o presidente Michel Temer. Ela, coitadinha,  apanhou até cair. Ele não caiu, mas a cada dia que vai passando mais fraco vai ficando: político, moralmente e popularmente. 

         Quando a TV-Globo, o carro chefe do Sistema Globo de Comunicação aderiu à tese do seu impeachment, o mandato da então presidente Dilma Rousseff passou a ser apenas uma questão de tempo, e não àquele determinado pela nossa legislação, isto porque, como o ministro do STF-Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes já vinha agindo neste sentido, restou a presidente Dilma Roussef tão somente o direito de espernear, ou como se diz no jargão jurídico, o jus esperneandi. 

         Ainda sobre o Ministro Gilmar Mendes: foi de sua lavra a decisão que impediu a presidente Dilma Rousseff, no pleno exercício do seu mandato, a nomear o ex-presidente Lula para integrar a sua equipe ministerial. Embora demasiadamente esquisita e inoportuna, por se tratar da intromissão do poder judiciário numa decisão privativa da própria presidente Dilma Rousseff, a referida decisão ainda possibilitou a exibição, em série, de vários espetáculos midiáticos. Aquela época, o ministro Gilmar Mendes era tido e havido como um juiz exemplar. Presentemente, quando toma decisões favoráveis ao presidente Michel Temer, de pronto, é acusado de ser parcial. 

         Ao ter caído na graça do ministro Gilmar Mendes, como seria esperado, e não na graça da nossa grande imprensa, do Sistema Globo de Comunicação, em particular, o presidente Michel Temer vem enfrentando a cada novo dia, uma nova agonia.

         Vide também o que aconteceu com o ex-diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia. Enquanto o procurador da República, Deltan Dellagnol vem a público e compara o nosso Congresso Nacional a um ambiente composto de criminosos, bastou que o delegado Fernando Segovia sugerisse o presidente o presidente Michel Temer “talvez”, repito "talvez" não fosse investigado num determinado processo, para ser afastado da diretoria geral de nossa Polícia Federal.

         Como dizia Cícero, filósofo grego: Ó tempos, ó costumes!    

 

 

 



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