O Rio Branco

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Lamentável

Por Artigo do Narciso

03 de Março de 2018 às 09:01:09

Nada pior para qualquer democracia do que ter a  sua classe política literalmente criminalizada.

         O combate a corrupção é, simplesmente, uma obrigação. E mais ainda, um imperativo de todos os seus poderes, de suas instituições e de suas respectivas sociedades. Já dizia o saudoso Ulisses Guimarães: a corrupção é o cupim de qualquer República. Ainda assim, nada justifica que a pretexto de combatê-la que além de sua classe política, sim e também, suas instituições políticas, sejam completamente desmoralizadas. 

         Diz uma máxima britânica – “throw out the baby with the bater water”. Traduzindo: não se deve matar uma vaca a pretexto de matar os carrapatos que sugam o seu sangue. Que a nossa corrupção precisa ser combatida, certamente sim, conquanto os poderes da nossa República sejam preservados, jamais destroçados, política e moralmente, a exemplo do que está acontecendo com dois dos nossos três poderes, no caso, o executivo e o legislativo. Nada mais ameaçador para a nossa democracia. 

         Daí a pergunta que não pode calar: Se toda a nossa classe política e suas respectivas instituições encontram-se literalmente criminalizadas, ainda há salvação para a nossa agonizante democracia?   

         Em 1964, a alternativa foi 20 anos de ditadura. Mas partindo-se da premissa que tal hipótese encontra-se descartada, como preservá-la, se àqueles que deveriam defendê-la, a começar pelo próprio presidente Michel Temer, vem sendo sistematicamente acusado de chefiar uma organização criminosa? Em relação ao nosso poder legislativo, pior ainda. Vide a expressão a seguir, da lavra do procurador da República Dalton Dellagnol, um dos expoentes da celebrada Operação Lava jato: “nos gabinetes dos nossos congressistas vamos encontrar mais criminossos que nas favelas do Rio de Janeiro”. 

         Que o presidente Michel Temer tenha chegado ao poder desprovido de legitimidade, pois não fora submetido à soberania do voto popular, e sim, em decorrência do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, do ponto de vista legal, sua ascensão ao poder não deveria ser   questionada, sobretudo, por àqueles que ativamente integraram a campanha que culminou no “fora Dilma”.  Pelo contrário. De boa parte deles, e em particular, da nossa grande imprensa, o presidente Michel Temer vem enfrentando a mais raivosa oposição, pior que aquela que, sem sucesso, a ex-presidente Dilma Rousseff teve que enfrentar. 

         Portanto, se o presidente que for eleito nas próximas eleições vier ser tratado pelo conglomerado - TV-Globo, GloboNews, rádio Globo e revista Época, como o mesmo tratamento que foi dispensado a dupla Dilma Rousseff/Michel Temer, jamais as nossas crises serão superadas.

         Que o cupim da nossa República precisa ser combatido, nada a contestar, conquanto que, os nossos poderes e as nossas instituições, na forma descrita na nossa constituição sejam preservados.

 



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