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Inacreditável

O ministro do STF, Gilmar Mendes deve a sua vida  ao dedo de um criminoso que tramou assassiná-lo.       

Três pessoas foram fundamentalmente importantes para transformar a Operação Lava-Jato, e por longos quatro anos, na instituição de maior prestígio do nosso país. Reporto-me ao então chefe da Procuradoria Geral da República, Rodrigo Janot, ao então juiz e hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro e ao procurador Deltan Dellagnol, por incrível que possa parecer,  ainda na chefia de sua força tarefa.

         Dos três, ainda que o mais celebrado tenha sido o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dellagnol, o mais midiático, nenhum deles reunia tantos poderes quanto Rodrigo Janot, dada a sua condição de procurador-chefe do nosso ministério público federal, a única autoridade com poderes, o bastante, para denunciar, em querendo, o próprio presidente da República. Dele o então presidente Michel Temer teve que comer o pão que o diabo amassou. 

         Rodrigo Janot chegou à chefia da PGR-Procuradoria Geral da República, por dois mandatos consecutivos e a exerceu pelo prazo de quatro anos, escolhido por seus pares, em razão de ter sido o mais votado numa lista tríplice e aceita pela então presidente Dilma Rousseff, a quem, de fato e direito caberia ultimar a sua indicação. Resultado: à frente da PGR e em sintonia com os propósitos, ou mais precisamente, com os despropósitos da Operação Lava-Jato, a presidente Dilma Rousseff foi afastada do poder, se não através de um golpe de Estado, sim e certamente, através de uma quartelada parlamentar.    

           Após haver declarado que havia carregado uma pistola para descarregar na cara do Ministro Gilmar Mendes, e pasmem, no interior do prédio sede do nosso STF, pergunto: enquanto especializados em investigações, como o procurador Rodrigo Janot conseguiu esconder dos seus colegas, em particular, daqueles com os quais mantinha mais proximidade, a sua vocação assassina?

         Se as declarações já tornadas públicas pelo The Intercept já havia posto a Operação Lava-Jato em apuros, digamos assim, numa incômoda defensiva, sem dúvidas, as revelações do ex-procurador Rodrigo Janot foram ainda mais arrasadoras.

         Se quando um réu confesso recorre ao instituto da delação premiada na intenção de minorar suas penas, ou quem sabe até, na intenção de reconquistar a sua liberdade, vá lá, mas fazer o que fez o potencial assassino, Rodrigo Janot, de livre e espontânea vontade, e ainda por cima, registrar num livro qual era a sua disposição enquanto esteve a frente de uma das mais importantes instituições do nosso país, convenhamos.

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