Colunistas

Lula livre ou Moro preso?

Se, por vezes, o juiz deixar vergar a vara da justiça, que não   seja sob o peso das ofertas, mas sob o da misericórdia.  Miguel de Cervantes. 

Enquanto comandou a Operação Lava Jato o juiz Sérgio Moro conquistou tanto prestigio e tanta admiração popular que chegou a ter o seu nome cogitado para disputar à presidente da República na disputa eleitoral próxima passada. Tamanho era seu prestígio que a 13ª vara da justiça federal do Paraná foi transformada na principal referência da justiça do nosso país. 

Ao empunhar a bandeira do combate à corrupção, e em sendo a corrupção, moralmente, o mais devorador cupim da nossa República, embora fiscalmente não fosse, porquanto as crises que enfrentávamos e continuamos  enfrentando têm muito mais a ver com as incompetências e as irresponsabilidades fiscais dos nossos gestores públicos, ainda assim, a versão moralista dos integrantes da referida operação era a que prevalecia, a despeito dos vários abusos e ilegalidades que iam sendo praticadas.  

Além dos lulistas, desde o início da referida operação que uma substancial parcela da nossa população desconfiavam que o juiz Sérgio Moro agia com parcialidade, especialmente, em desfavor do ex-presidente Lula. 

À propósito, a condenação que retirou o ex-presidente Lula da mais recente disputa presidencial e que culminou na sua prisão, sempre foi motivo de notórias suspeições, isto porque, nunca restou provado que o ex-presidente Lula fosse proprietário do tal triplex. Pelo contrário. O dito cujo se encontrava penhorado junto a CEF-Caixa Econômica Federal, em garantia de uma dívida contraída pela OAS, a empresa que o havia construído.   

Pelo sim pelo não, eis que surgem as revelações do site The Intercept e põe a Operação Lava-Jato, e em particular, suas principais estrelas, Sérgio Moro e Dalton Dallagnol em apuros.  

Após as referidas declarações esperava-se que o hoje Ministro da Justiça, Sérgio Moro, viesse a público, e de pronto, negasse seus conteúdos, ou numa segunda hipótese, que as tais conversações eram produtos de manipulações. Mas não. Em sua defesa passou a acusar a ilegalidade das fontes, ou seja, via hackers. Daí a pergunta que se impõe: quando o juiz Sérgio Moro grampeou um telefonema entre a então presidente Dilma Roussef e o ex-presidente Lula, portanto, duplamente ilegal, sabe qual foi a sua justificativa? “Mais importante que a natureza da fonte vem ser o seu conteúdo”.  

Em relação ao procurador, Daltan/Dellagnol, dele esperamos que seja capaz de demonstrar, através de um convincente PowerPoint, que não participou de nenhuma trapaça enquanto comandante da força tarefa da Lava-Jato. Por fim um aviso: o perigo é o que ainda estará por vir, coisa que o jornalista Glenn Greenwald parece disposto a só revelar à conta gotas. 

 

Artigos Publicados

Infalível

Preocupante

Vá em frente

Tomara!

Da fama à lama