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O poder das ruas

          Não basta o apoio das ruas para determinar o impeachment de um governante. Necessário sim, mas não suficiente.  

A então presidente Dilma Rousseff vivia o auge de sua popularidade, até que, em junho de 2013, as nossas ruas começaram a ser tomadas por seguidas manifestações populares. Como a primeira delas teve como causa o aumento nos preços das passagens dos transportes urbanos na cidade de São Paulo, aparentemente, nada tinha a ver com ela e nem com a sua gestão.        
Por não haver percebido que na atividade política são as suas ações que criam e movem as circunstâncias, por este erro, ela própria acabou se transformando na mais emblemática vítima das referidas manifestações. 

A título de esclarecimentos: no início das tais manifestações a presidente Dilma Rousseff, segundo os dados de todos os institutos de pesquisas, detinha altíssimos índices de popularidade, ou como se diz no linguajar da política,  tinha bastante gordura para ser queimada. Prova disto, nas eleições de 2014 ela conseguiu se reeleger.  

Reeleita, e já na transição do seu primeiro para o segundo mandato, as circunstâncias continuaram mudando e numa velocidade surpreendente, algumas delas alimentadas pelas decisões, francamente antipopulares, que foram postas em prática. Resultado: ao invés de gozar sua segunda lua de mel, deu-se o contrário, ou seja, ela passou a viver os piores dias de sua vida, e o pior: seu capital político, ou seja, sua popularidade, não parava de cair.      

Quando sua popularidade já se encontrava bastante escassa, o seu impeachment passou a se constituir na principal reivindicação, e em todas as manifestações que se seguiram. A partir de então, restava-lhes tão somente buscar socorro junto aos nossos congressistas, diga-se de passagem, uma tarefa bastante complexa, dada a sua aversão as negociações de natureza política. Sem sucesso, deu no que deu, ou seja, no seu impeachment.  

Como o resgate da popularidade de um governante é algo dificílimo de ser alcançado, em relação ao presidente Jair Bolsonaro ainda há tempo para recuperá-la, embora esteja caindo. Para tanto ele precisa, com a necessária urgência, construir sua base de apoio parlamentar, a exemplo do que fez o então presidente Michel Temer, do contrário, o seu impeachment pode se tornar realidade. 

Particularmente, fui contra o impeachment do então presidente Fernando Collor, o da então presidente Dilma Rousseff e não me anima assistir o do presidente Jair Bolsonaro. Não por me sentir satisfeito com o seu jeito de ser e de agir, ou mais precisamente, com o seu governo, e sim porque, para que isto possa acontecer, o tempo que demandaria seria demasiadamente longo e penoso e, certamente, as nossas crises só iriam se aprofundar. 

Se vivêssemos sob a égide do regime parlamentar, no qual, governantes incapaz são postos no olho da rua, sem maiores delongas, daí sê-lo o regime dos meus sonhos, aí sim, no que dependesse de mim, o governo Jair Bolsonaro já estaria com seus dias contados. Mas como somos regidos pelo regime presidencialista, melhor aturá-lo. Mas para tanto se faz necessário que ele abandone sua vocação de incendiário e transforme-se num bombeiro.                      

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