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Inacreditável

            O toma-lá-dá-cá com preços, prazos e outras condições  ajustados nem a velha política chegou a praticar.
Cada um dos nossos 513 deputados federais insere no nosso orçamento federal “R$-15.000.000,00” a cada ano, e como conseqüência, em cada mandato, o montante de “R$-60.000.000,00”. E o bem bom: podendo distribuí-lo como melhor lhes aprouver. Não por acaso, os prefeitos e vereadores, seus potencias cabos eleitorais, são os primeiros contemplados.  

Até o então deputado federal Eduardo Cunha se eleger presidente da Câmara dos Deputados as referidas emendas eram liberadas de acordo com os interesses do governo de plantão, ou seja, os parlamentares que compusesse sua base de apoio político teriam suas emendas atendidas, e os contrários, como se diz na gíria, não raramente, ficavam a ver navios. 

Ao se eleger presidente da Câmara dos Deputados, conforme havia prometido aos seus pares, Eduardo Cunha fez aprovar uma lei tornando suas liberações obrigatórias, independente do deputado federal pertencer a bancada governista ou oposicionista. 

Resultado: ao tornarem-se obrigatórias o governo perdeu àquele que era o seu mais eficiente instrumento de barganha, tanto para a construção de sua base de sustentação política quanto para garantir a aprovação dos seus projetos, isto porque, nas negociações entre governo/parlamento, suas liberações perderam valor enquanto moeda de troca. 

Ledo engano de quem pensar que o toma-lá-dá-cá havia chegado ao fim, até porque, num sistema político/partidário/eleitoral, tal qual o nosso, com representantes de 30 partidos integrando o nosso Congresso Nacional, o governo só consegue aprovar os seus projetos, e se antipopulares mais ainda, caso se submeta as imposições que o nosso sistema determina. Em síntese: outras moedas haveria se surgir.    

Nada mais desejável, proveitoso e democrático que as negociações entre governo/parlamento. Digo mais: apenas nas ditaduras as negociações políticas são dispensáveis, pois nelas o ditador manda no governo, no legislativo, no judiciário e não raramente, nas ruas.  

Por fim: em se confirmando que o ministro Onyx Lorenzoni, chefe do Gabinete Civil da presidência da República está prometendo um adicional de R$-10.000.000,00 por semestre aos parlamentares que votarem 100% a favor dos seus projetos, aí sim, o toma-lá-dá-cá poderá voltar, e numa versão bastante piorada, ou seja, com preço, prazo e condições previamente estabelecidas. 

 

 

 

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