Colunistas

Tempestade perfeita

             Nossos atuais governantes sequer conseguiram se deliciar das suas tão esperadas “lua de mel”.  

Os primeiros 100 dias dos nossos atuais governantes foram bastante preocupantes e igualmente incômodos. Nem o presidente Jair Bolsonaro, ungido ao mais alto posto da nossa federação e nenhum dos nossos 27 governadores, puderam se deliciar da referida “lua de mel”, isto porque, ao se cientificarem dos problemas que haveria de enfrentar, passaram a viver em climas de grandes apreensões. Diria até, dias de cão.        

Verdade seja dita: as unidades da nossa federação que não se encontram em estado pré-falimentar estão caminhando nesta direção e no mesmo sentido. A exemplificar: unidades importantíssimas como são os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, se fossem regidos pelas mesmas leis que regem as empresas privadas já estariam sendo acionados por seus credores com justificáveis pedidos de falência. 

O Estado do Rio Grande do Norte, há mais de três meses não consegue pagar os salários dos seus próprios funcionários, os prestadores de serviços e seus fornecedores. Enquanto isto, o que ainda resta de nossas esperanças estão depositadas, predominantemente, no desempenho do governo Jair Bolsonaro e dos nossos congressistas, até porque, caso fracassem, o pior ainda estará por vir, no caso, a chamada tempestade perfeita.  

Como nenhuma das nossas unidades federadas está mais cabendo no seu próprio orçamento e como as suas despesas continuam subindo por elevadores e suas receitas por escadas, basta o mínimo racionalidade para concluirmos: ou se dar um basta nesta indesejável movimentação ou as nossas crises só tenderão a se agravar.  

Ainda bem que o próprio presidente Jair Bolsonaro começou a entender que com arroubos, como foi o seu caso, até se pode ganhar uma eleição, mas não se consegue governar. Prova disto foi o convite que fez, e prontamente aceito, para estabelecer entendimentos com os dirigentes partidários, logicamente, visando o apoio dos os seus respectivos congressistas, até porque, sem o apoio destes, jamais conseguirá aprovar as reformas constitucionais indispensáveis, não apenas ao seu governo, sim e também, ao nosso país. 

A reforma da nossa previdência social, caso não seja aprovada, tornará o nosso país ingovernável, e se aprovada, por si só, não se constituirá numa panacéia. Que deva ser posta na cabeceira da fila nada mais acertado. E se  aprovada, a depender dos seus termos, dependerá a sua importância em relação ao ajustamento das nossas contas públicas, até porque, diversas outras reformas também se fazem necessárias, entre elas a reforma política, isto porque, num Congresso, igual o nosso, composto por 30 partidos distintos, a ingovernabilidade vive batendo as suas portas.
 
Em relação ao nosso Acre, cuja situação fiscal inspira sérios cuidados, o governador Gladson Cameli precisa ficar atento, não tão somente com as questões de natureza fiscal, sim e também, com as de ordem política, até porque, não existe democracia sem a participação dos políticos.
Como a tal nova política não vingou, embora tenha sido de grande valia à eleição, mas não ao seu governo, resta-nos esperar no que resultará da sua aproximação com os partidos políticos e seus respectivos representantes, afinal de contas, as chamadas bancadas temáticas, a da bíblia, a da bola e a da bala e outras baboseiras, tais quais os vinhos de más qualidades, como seria esperado, viraram vinagre. 

 

 

 

Artigos Publicados

Remédio ou veneno?

República de Curitiba

Terrivelmente perigoso

Por qué no te callas?

Ser Juiz