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Procura-se um presidente

O comportamento do presidente Jair Bolsonaro vem se revelando flagrantemente decepcionante. 

O presidente Jair Bolsonaro já perdeu e dificilmente recuperará uma parcela considerável do capital político que as urnas lhes haviam conferido. Reporto-me aos mais de 57,7 milhões dos votos que obtivera na nossa mais recente disputa presidencial, e segundo os institutos pesquisas, o IBOPE, em particular, sua popularidade encontra-se em queda livre.            

Particularmente, não votei nele no primeiro, nem no segundo e jamais votaria caso houvesse um terceiro turno. Ainda assim, fiz-me torcer do seu sucesso político/administrativo, afinal de contas, enquanto passageiro da nau Brasil, jamais torceria para vê-la ir ao fundo, isto porque, não tenho vocação suicida, menos ainda, como vítima de um afogamento.   

Lamentavelmente, os quase trinta anos de sua participação na nossa atividade política, não lhe serviram como escola. A provar: nos seus seis mandatos de deputado federal, sequer emergiu do baixo clero, como assim são chamados os deputados federais que pouco ou nada influenciam as decisões na nossa Câmara de Deputados. 

Daí a intrigante pergunta: Como explicar a sua assunção à presidência da nossa República? Ora, se a nossa classe política encontrava-se demasiadamente criminalizada e sendo responsabilizada pelas gravíssimas crises que vivenciávamos, bastou que saísse prometendo, e mais que isto, que se fizesse acreditado, e isto aconteceu, para dar musculatura eleitoral à sua pretendida candidatura. Suas únicas promessas: acabar com a velha política e as suas conseqüentes velhacarias.  

Feito uma moda, suas pregações espraiaram-se pelos quatro cantos do nosso país, e a partir de então, todas as irresponsabilidades existentes no nosso país, tanto as de ordem fiscal quanto as de ordem moral, foram sendo postas na conta dos integrantes da chamada “velha política”, particularmente, as denúncias sobre corrupção, afinal de contas, os discursos moralistas costumam soar como música aos ouvidos dos menos informados.   

De outro lado, tanto a Operação Lava-Jato quanto os abundantes espetáculos midiáticos patrocinados pela nossa grande imprensa, em particular, pelos veículos do poderosíssimo Grupo Globo da Comunicação, foram contribuindo para criminalizar, não apenas a tal velha política, sim e também, todos àqueles que a integrava. 

A despeito de sua longeva vida parlamentar, quase 30 anos, e já na condição de presidenciável, onde se fizesse presente, Jair Bolsonaro sempre se apresentava, e assim era acolhido, como alguém que iria estabelecer uma nova ordem política para o nosso país, e na qual, só teria vez quem fosse competente, honrado e verdadeiramente democrata, ainda que ele próprio não preenchesse tais requisitos.

 Infelizmente, em menos de 100 dias, ou seja, ainda no período reservado a sua lua de mel no poder, o presidente Jair Bolsonaro já se revelou politicamente incapaz e administrativamente incompetente para solucionar os nossos problemas, e isto porque, em si mesmo, ele já se constituiu, de fato, no nosso maior e mais gravíssimo problema. 

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