O jornalista Augusto Diniz critica a postura antidesportiva da FerrariDepois do Grande Prêmio da Alemanha, a Fórmula 1 sacramentou aquilo que já se pensava, mas ninguém queria acreditar: máquinas valem muito mais do que as pessoas que as dirigem na pista. Portanto, resultados não envolvem esportistas nem tampouco homens.
Fico imaginando o sujeito que fica grudado duas horas em frente à televisão num domingo ou paga tubos para assistir uma corrida em um autódromo. Ele está sempre correndo o risco de assistir uma ultrapassagem combinada, para favorecer uma equipe e não um suposto esportista.
Felipe Massa, ao deixar Felipe Alonso ultrapassá-lo por determinação da Ferrari, sugere que não são pessoas que estão correndo para vencer, mas sim poderosas marcas de automóvel. A desculpa esfarrapada que jogo de equipe é o que vale, corrobora com a ideia de que a disputa tem pouca influência do piloto – ou do hipotético atleta.
Aliás, essa pouca intromissão do piloto nos carros de Fórmula 1 já é sentida quando duas ou três equipes brigam pelas melhores posições, enquanto a maioria não tem a menor chance de ganhar uma corrida se quer.
Volta e meia se discute a atuação de um time de futebol para beneficiar um outro clube qualquer. Em geral, não se chega a conclusão nenhuma. Essencialmente porque não se consegue medir o comportamento humano quando ele é o próprio e único elemento do esforço empreendido. E quando isso envolve 22 atletas em campo, isso fica ainda mais difícil detectar.
Agora na Fórmula 1, as variáveis extracampo são tantas e incontroláveis para o piloto solitário em um carro, que quando o circo toma de assalto a pista – como aconteceu no GP da Alemanha – o resultado torna-se patético.


Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes