Augusto Diniz comenta a falta de comunicação da CBF com o FluminenseRodrigo Paiva, assessor de imprensa da CBF, é um exemplo de como fazer comunicação social é sempre desafiador e perigoso.
Todas as grandes entrevistas envolvendo o futebol – leia-se entrevistas de jogadores da Seleção Brasileira, do técnico no cargo e de seu patrão, Ricardo Teixeira – ele aparece ao lado (como um papagaio de pirata, para bom entendedor). Na maioria das vezes, ele faz isso por se tratar de uma obrigação de sua atividade. Afinal, um de seus papéis é de orientador e mediador de porta-voz em encontro com jornalistas. No entanto, mostrou submissão (ou omissão) inadmissível no cargo.
Paiva foi mal no trabalho de comunicação da equipe do Brasil antes e durante a Copa do Mundo da África do Sul. Ninguém falava com a imprensa direito – técnico, comissão técnica e jogadores. As desavenças chegaram a um nível insuportável. Não é possível que o assessor de imprensa não tenha feito uma forte intervenção para melhorar esse clima. Se tentou, foi mal sucedido. Embora Dunga tenha jeito de não ouvir nem recado da mãe.
O homem da comunicação da CBF foi melhor em 2002. Me lembro bem abraçando Ronaldo Fenômeno em campo depois de um gol na final do Mundial. Mostrou intimidade com o poder do futebol. Nada demais, afinal, ali era só correr para o abraço. Passados oito anos, no momento que mais precisava trabalhar, se mostrou menos eficiente - que é cuidar das relações imprensa e assessorado em momentos delicados.
O clímax desse imbróglio que Rodrigo Paiva se meteu fruto talvez de encantamento com cargo que ocupa aconteceu nesta sexta (23/7), quando Muricy foi, pela manhã, colocado pela CBF na posição de novo técnico da Seleção Brasileira - mas que "esqueceram" de acertar isso com o seu clube no qual tinha acordado permanecer até 2012.
Pior, esse clube, o Fluminense, tem um presidente, o Roberto Horcades, que é adversário político da CBF. O time não quer ver Ricardo Teixeira nem pintado fruto de desavenças eleitorais recentes. Rodrigo Paiva deveria conhecer isso bem – afinal, participou do encontro entre seu patrão Ricardo Teixeira e Muricy para o acerto final da contratação. Uma das primeiras providências que um assessor de imprensa toma em encontros como esse é se municiar de informações que possam gerar situações de risco para o assessorado. Mesmo assim, permitiu – ou foi imbuído a fazer isso - que anunciassem Muricy como novo escolhido para assumir o cargo máximo do futebol brasileiro.
No entanto, a CBF não tinha ouvido o Fluminense. Passou por cima. Recebeu o troco o mesmo dia à tarde: o técnico não foi liberado pelo clube carioca para servir a Seleção. A entidade teve que em poucas horas mudar o foco, e informar que Muricy recusou.
Enfim, Rodrigo Paiva jogou fora a chance de seu assessorado ficar quieto. Não conseguiu administrar a ansiedade do patrão – se é que tem poder para palpitar sobre isso. Agiu como assessor de botequim. E não na altura do cargo que exerce.


Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes