sncAcre2-22-07-2011
 
 
 
 
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Recomeço

giro_brasil_-_augusto_dinizAgora é pra valer. Começaram os campeonatos estaduais de futebol. Jogadores trocando de camisa de clube como trocam de cueca, ar de certa desordem nos clubes por conta do amadorismo, intrigas envolvendo dirigentes, atletas e ex-atletas, alguns estádios entrando na reta final de obras - não tem mais como voltar atrás, organizaremos sim a Copa de 2014 - e o parque olímpico do Rio sofrendo primeira ação contra os trabalhos de construção dos equipamentos esportivos.

 

São Paulo chove agora quase todos os dias, o trânsito piora gradativamente com a volta das pessoas ao trabalho e às aulas, academias enchem – uns ainda acreditam que podem entrar em forma para o verão 2012 -, a maioria faz planos para o Carnaval – ir atrás de blocos no Rio é o máximo -, os que se sentem mais descolados descem no final de semana para a decadente Guarujá e a onda (pra quem fica na capital) é ir a algum ensaio de escola de samba – pra variar, um barracão de uma dessas agremiações pegou fogo, fazendo fechar importante viaduto da cidade; pois é, a escola morava embaixo da ponte...

As estradas continuam péssimas. No Sul, os litorais catarinense e gaúcho comandam, mas pode-se esperar uma hora para percorrer cerca de 30 km na sempre em obras BR-101, a rodovia que leva ao sol e ao mar por lá – os noticiários de rádio, televisão, jornal e internet sulistas são implacáveis e nos faz concluir que o quadro é quase insolúvel; fuja para o Uruguai ou despenque de avião para o Nordeste maravilha.

O inclemente calor carioca leva multidão à praia, mulheres com biquínis escondidos entre os glúteos, andar longe da orla é quase um sacrilégio, falar sobre mudança de vida, só na quarta-feira... de cinzas. O samba da Portela que homenageia a Bahia faz lembrar antigos (e bons) carnavais - aqueles em que bicheiro andava tranquilamente pelas ruas e festas, sem ser importunado por um mandato de prisão. Pouco mudou na região serrana do Rio depois da tragédia do ano passado.

Falando da Bahia, o carnaval de três meses de Salvador já começou – haja festivais de verão. Enquanto isso, Pernambuco vai se firmando como decisivo polo econômico do País, com empresas indo a rodo pra lá atrás de novos consumidores e a proximidade com a Europa. Só não mexam com o maracatu. Não criem pedágio para assistir esses grupos no carnaval nem façam deles objeto de massificação descabida e inadequada na forma em que surgiram – como fizeram os baianos com sua manifestação musical. Por favor, essa (do maracatu autêntico e original) é uma das poucas coisas que não gostaria que mudasse em todo recomeço de ano.




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