Prefeito destaca conquistas da missão do Acre liderada pelo senador Tião Viana e o vice-governador César Messias
Angelim confirma interesse de chineses por madeira, castanha e carne.
A China deverá enviar ainda este ano uma missão de empresáriosinteressada em negociar madeira certificada, castanha e carne com omercado produtor acreano.
Foi o que informou ontem o prefeito de RioBranco, Raimundo Angelim, ao retornar da China, onde esteve na últimasemana fazendo parte da missão de empresários e de políticos acreanosliderada pelo senador Tião Viana (PT-AC) e o vice-governador CésarMessias.
Pregando que a China hoje é um canteiro de obras e a “grandelocomotiva da economia mundial”, Raimundo Angelim, mesmo cansado das quase 40 horas em que durou a viagem de volta ao estado, foi enfático em destacar que o Acre, efetivamente, abriu as portas para o comércio com esse gigante asiático, que integra as quatro nações emergentes do mundo, formando o chamado grupo dos BRICs, sigla criada a partir dos nomes de Brasil, Rússia, Índia e China.
Veja, a seguir, a íntegra da entrevista com o prefeito da capital do estado.
Como foi a viagem à China?
A viagem à China acompanhando os empresários acreanos e aceitando o convite do senador Tião Viana, foi extremamente valiosa na medida em que transportamos oportunidades de mercados para os nossos produtos. Fui muito importante porque formos recebidos pela direção da CantonFair, que é a maior feira de negócios do mundo, que tem milhares de estandes e que é realizada duas vezes por ano.
O que a missão fez de concreto nesta feira?
Fizemos diversas reuniões com o setor privado, das quais participeijuntamente os presidentes das federações da agricultura, da indústriae do comércio do estado para debater a oportunidade e a necessidade deuma missão de empresários chineses visitar o Acre provavelmente aindaeste ano para verificar a possibilidade de nós exportarmos madeiracertificada, castanha e carne. Nas reuniões, o senador Tião Viana defendeu ardorosamente essas oportunidades do Acre exportar para aChina esses produtos.
E como foi a visita a uma Zona de Processamento de Exportação da China?
Foi também fui importante a visita que fizemos à Zona de Processamentode Exportação de Zhohai, uma das cidades com maior renda per capita da China, maior nível de urbanismo e de grande paisagismo e de importanteárea industrial. Nessa oportunidade, com as presenças do prefeito, dovice-prefeito, de todo o seu secretariado, junto com o senador TiãoViana e todos os empresários, falei da importância de Zhohai vir a ser cidade irmã de Rio Branco, focando na necessidade de que a nossa Zonade Exportação (que deverá ser implantada na capital acreana até julho próximo) possa ter o apoio e a orientação da ZPE deles, que é uma dasmais modernas e dinâmicas do mundo.
Qual foi a resposta dos chineses ao seu pedido?
Eles ficaram de examinar a proposta porque é cultura chinesa não darresposta imediata, pois há todo um processamento das tratativas. Até porque quando eles decidem, eles fazem. Eles nada decidem de imediato, mas quando decidem, eles executam, essa é uma tradição chinesa.
O que mais lhe chamou a atenção nessa visita à China?
O que mais nos impactou nessa viagem foi perceber o dinamismo com que cresce a economia chinesa. A olhos vistos, todas as cidades que nós visitamos estão em construção. A China está em construção e em reconstrução. É um grande canteiro de obras completo. Vimos uma demolição generalizada de prédios antigos e o erguimento de edifícios considerados os mais modernos do mundo.
Quais as razões de tanto crescimento naquele país?
O crescimento vem do nível do desenvolvimento empreendido por uma classe empresarial altamente fortalecida. E a China trabalha com a desvalorização da sua moeda e isso faz com que, cada vez mais, ela tenha mercado no mundo para os seus produtos, reduzindo a sua importação. A estratégica chinesa é manter a sua moeda, o yuan, desvalorizada em relação às moedas dos demais países do mundo. Isso reduz a importação e aumenta e dinamiza consideravelmente a sua exportação, fazendo com que haja essa febre pela produção e comercialização de seus produtos.
E os benefícios desse crescimento, quais são?
Salta aos olhos na China a geração de oportunidades de trabalho,atendendo aos reclames da sociedade, à ansiedade que ela tem deempregos por causa da super população do país. Visitamos fábricas onde produtos que poderiam ser industrializadas, com maquinários, ainda sãofeitos de forma manual, quase artesanal. Mas isso é para aumentar aoferta de trabalho, agregando valor à mão-de-obra local. Caminho obrigatório para quem quer crescer.
A China é, então, caminho obrigatório para quem quer crescer no mundo?
Qualquer estado, qualquer país que queira estar na agenda internacional de negócios tem necessariamente que conhecer a China,ter tratativas com a China, prospectar oportunidades de ter parcerias com aquele país, que hoje é a grande locomotiva da economia mundial.
A delegação de empresários e políticos ficou satisfeita com a visita à China?
A missão do Acre à China incorporou a maior delegação de empresários brasileiros proporcionalmente aos estados. Um milhão de pessoas visitaa Canton Fair. Muitos dos empresários nossos realizaram negócios. É bom destacar que, além de Rio Branco, foram empresários de Cruzeiro do Sul, de Tarauacá, que também realizaram expressivos negócios de exportação. Importante também foi abrir os canais diretamente com oempresariado da China, abrindo portas para um comércio que, muitas vezes, ficava à mercê de empresas sediadas em Manaus e em São Paulo. Eagora será possível fazer negócios diretamente com os produtores.
Os chinês viram vantagens do estado em passar a dispor da Rodovia Interoceânica?
Em nossos contatos, tanto na Feira quanto na cidade da ZPE, colocamosa Interoceânica como a alternativa mais viável para as transações bilaterais para baratear custos.
O que os chineses acharam de negociar com um estado situado em plena floresta amazônica?
Os chineses são conscientes do papel que têm no mundo do ponto devista da questão ambiental, pois a China é considerada um dos países que mais poluem. A olhos vistos, em Guangzhou, cidade da Feira deCanton, é grande o impacto que a indústria tem na questão ambiental. Eles vêem a Amazônia como uma área ainda extremamente preservada e que tem dado exemplo para o mundo de que é possível se manter uma área preservada concomitantemente desenvolvendo-a. Nós sempre falávamos quesomos de um estado no coração da Amazônia, que temos um projeto dedesenvolvimento sustentável que hoje é modelo, mas que temos também uma economia privada que cada vez mais se fortalece e que cada vez mais prospecta oportunidade de negócios, de investimentos. Isso os deixou muito interessados, por isso que os convidamos para uma visita a Rio Branco.


Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes