De acordo com Waldir Perazzo, debater é a melhor forma de se exterminar o problema
A briga contra o crack preocupa não só a população de São Paulo, mas do país inteiro. Visando esta premissa, o defensor público Valdir Perazzo Leite decidiu criar uma marcha contra a droga.
No Brasil, existem cerca de 1 milhão de dependentes dessa substância química, que agride de forma tão ofensiva o corpo humano. De acordo com Perazzo, o dever é da sociedade como um todo, e não apenas do Governo Federal. “A sociedade, com movimentos ecumênicos, associações de bairros e outros tipos de organizações, deve se unir aos poderes públicos para que, assim, possamos combater esse problema tão grave”, explica.
A proposta, a início, deve debater uma forma de combater de forma viável para acabar esse problema. Uma vara específica para indiciar pessoas que cometeram crimes, de menor potencial, por conta do vício seria um início, de acordo com o defensor. “Nos Estados Unidos, há varas próprias para esse tipo de caso. Imagine quantas pessoas teriam a chance de se tratar, caso pudessem, se esses tipos de chance lhes fossem dadas?”
Disponibilidade de CAPS-AD
O CAPS-AD é um serviço especializado em saúde mental, que atende pessoas com problemas decorrentes do abuso de álcool e outras drogas em diferentes níveis de cuidado: intensivo (diariamente), semi-intensivo (de duas a três vezes por semana) e não intensivo (até três vezes por mês).
Valdir acredita que este tipo de serviço seria de necessidade absoluta aqui no Estado. “Infelizmente, aqui no Acre, os dependentes químicos ainda ficam internados no Hospital de Saúde Mental do Acre, que não é qualificado para receber esses tipos de pacientes. Necessitamos de clínicas especializadas em pessoas, principalmente no que diz respeito às épocas de desintoxicação.”
Incentivo às comunidades terapêuticas
Muitas comunidades terapêuticas se firmam, atualmente. Com o incentivo delas, vários dependentes químicos conseguem sair de seus vícios. É o caso da Associação dos Pais e Amigos de Dependentes Químicos (APADEQ), Caminhos da Luz, Peniel, entre outros.
Eles se ajudam de várias formas. Ex-dependentes, para ajudar suas próprias comunidades, acabam vendendo balas em sinais. “A nossa sociedade ainda é tão preconceituosa que, ao vermos esses ex-dependentes, fechamos os vidros dos nossos carros. O que eles querem, apenas, é ajudar a casa que os livraram dos vícios. É um trabalho bonito.”
Perazzo sugere mais que isso, um debate nas escolas, famílias, igrejas, entre as pessoas. “Esse trabalho não é apenas do governo, mas da sociedade”, explica.
O programa contra o crack do Governo Federal
A presidenta Dilma Rousseff, lançou em dezembro um programa que prevê a internação involuntária de usuários de crack. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha serão criados 308 “Consultórios de Ruas”, com médicos, psicólogos e enfermeiros, com o objetivo de fazer uma busca ativa de dependentes e avaliar, uma possível internação. Ela poderá ser voluntária ou involuntária.



Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes