Avó do menor procura presidente da CDH da Aleac, deputado Walter Prado, para denunciar Conselho Tutelar de Capixaba que segundo ela, informava todos os passos da investigação ao acusado de pedofilia.
Após a Comissão Parlamentar de Inquérito da Aleac, informar que entraria com representação pedindo o indiciamento de Jessé Lins, ex-assessor do Prefeito de Capixaba, um grupo de homens e mulheres ligados ao movimento comunitário do município iniciou um movimento em busca de punição para o acusado de abusar sexualmente do enteado de seis anos.
A denúncia foi levada ao conhecimento público no dia 22 de janeiro deste ano, quando a avó paterna do garoto J.V.R.R, Maria Paixão procurou a reportagem de O RIO BRANCO, para fazer a denúncia de abuso sexual sofrida por seu neto. Segundo ela, seu neto vem sofrendo a um ano, nas mãos do padrasto, Jessé Lins, ex-assessor do prefeito de Capixaba.
Na manhã de sexta-feira, 16, um grupo de moradores e líderes comunitários de Capixaba, procurou a Comissão de Direitos Humanos da Aleac, informando que no domingo, 18, será realizada uma passeata no município pedindo a prisão do acusado, que segundo eles, atrapalha as investigações, com sua influência junto às autoridades da cidade do interior.
“Nós vamos nos reunir, vamos gritar, levar cartazes as ruas e só vamos parar quando a Justiça se pronunciar”, disse a Maria Paixão do Nascimento, 44, avó do garoto. Segundo ela, a força para seguir em frente, apesar de o movimento ainda não ter um nome definido, vem da vontade de ver Justiça ser feita no caso do seu neto. “O que me move é a vontade de que seja feita Justiça. Não agüento mais a impunidade acontecer por influência de Jessé com autoridades e o Conselho Tutelar de Capixaba”.
Desde novembro de 2009, quando descobriu os primeiros sinais de abuso, Maria Paixão procurou ajuda, mas segundo ela, chegou a ser ameaçada de prisão, por pessoas ligadas ao acusado. “Não tive ajuda de nenhuma autoridade. Todos viraram as costas para meus apelos, só consegui ajuda, após a denúncia feita na imprensa, quando o deputado Walter Prado apresentou o caso a CPI. Hoje, finalmente acredito que possa ser feita Justiça”.
Até agora, Maria Paixão diz não saber até que ponto seu neto de seis anos foi molestado. “Jessé beijava meu neto na boca, passando as mãos pelo corpo dele. Foi à pior coisa que já vi na minha vida. Nem posso imaginar até que ponto meu neto sofreu com os abusos”.
O presidente da Associação dos Produtores de Capixaba, Francisco Assis [O Careca] que também desenvolve trabalhos ligados a igreja católica, é dos organizadores da passeata. Segundo ele, muitas pessoas não acreditavam nas denuncias, mas após o depoimento do acusado na CPI da Pedofilia, ficou claro que Jessé Lins, pode ter abusado sexualmente do menor.
“Sou catequista da paróquia de Santo Antônio, os valores que pregamos, são valores familiares. Este caso ficou por muito tempo na obscuridade, a sociedade só tomou conhecimento da situação real, quando a primeira denuncia foi feita ao jornal. Com a decisão da CPI de formalizar denúncia contra Jessé, é que a maioria das pessoas conseguiu ver a realidade da situação. Vamos às ruas pedir Justiça”.
Populares, comunidades de base e agricultores encampam o movimento, que ocupará a principal via de acesso ao município, no domingo, 18, para pedir a prisão do acusado, que durante a CPI, caiu em contradição em vários pontos do depoimento.
Avó pede destituição de conselho tutelar e transferência de Juíza
Ao procurar a Comissão de Direitos Humanos da Aleac, Maria Paixão avó do menor J.V.R.R., formalizou nova denúncia, desta vez contra o Conselho Tutelar de Capixaba. Segundo ela, existe um esquema de favorecimento dentro da entidade, envolvendo os conselheiros, para informar todos os passos da investigação no caso de abuso sexual de seu neto.
“Tudo que acontecia na investigação era informado ao Jessé, pelos conselheiros. Todos os passos da investigação eram repassados para ele, que sempre se antecipava e bloqueava o passo seguinte, fazendo com que o processo de investigação não avançasse. Se preciso for, vou até o Ministério Público, pedir a destituição dos conselheiros, que sempre favoreceram o acusado durante as investigações”, informou dona Maria Paixão.
Ainda segundo, Maria Paixão, houve favorecimento por parte da juíza do município, que tirou a guarda de J.V.R.R., do padrasto numa semana, devolvendo na semana seguinte. “As decisões da juíza sempre favoreceram ao acusado, em nenhum momento me senti que estava sendo feita Justiça. A guarda do meu neto foi tirada e devolvida ao padrasto de uma semana pra outra. Não esperaram que a investigação fosse finalizada, deixando meu neto em situação de risco, nas mãos do padrasto. Seria bom que o Judiciário entrasse no caso e transferisse a juíza, trazendo maior transparência para o caso”.


Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes
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